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Poucas regiões do país enchem tanto em tão pouco tempo. Fredy Gonçalves da Silva Bento, fundador da Eventos Litoral, frisa que para a temporada de verão 2025/2026, a concessionária Ecovias Imigrantes projetou 4,6 milhões de veículos descendo a serra rumo à Baixada Santista. Passado o Carnaval, porém, as mesmas cidades voltam a conviver com hotéis vazios, restaurantes com mesas sobrando e trabalhadores temporários sem contrato.
É nesse intervalo entre o pico e o vazio que atuam os grandes eventos no litoral paulista, Fredy Restrito, como também é conhecido, construiu uma das frentes de sua trajetória. Nas próximas linhas, você vai descobrir como shows e experiências para grandes públicos ajudam uma cidade a não depender apenas do calendário do sol.
O que a sazonalidade custa para uma cidade litorânea
Um restaurante à beira-mar paga aluguel, energia e folha de pagamento doze meses por ano. A maior parte do faturamento, no entanto, chega em poucas semanas. Quando o movimento cai, o dono escolhe entre reduzir a equipe, fechar em alguns dias da semana ou usar a reserva do verão para atravessar o inverno.
Multiplicada por centenas de negócios, essa conta vira um problema econômico regional. Empregos temporários terminam em março, a renda das famílias oscila e o comércio perde fôlego para investir. Para atrair o público local, muitos estabelecimentos ainda reduzem preços fora da temporada, o que aperta uma margem que já era menor.
Como um evento cria demanda onde ela não havia
Quem compra ingresso para um show no litoral raramente gasta só com o ingresso. Fredy Restrito menciona que essas pessoas reservam hotel, almoça fora, abastece o carro, paga estacionamento e, muitas vezes, estende a viagem para o fim de semana inteiro.
Esse é o mecanismo central: o evento dá ao visitante um motivo com data marcada para viajar. Diferentemente da praia, que depende do clima, um show ou festival costuma acontecer com chuva ou frio. Por isso, ele consegue levar público a meses em que a cidade, sozinha, não atrairia ninguém de fora.
Um evento isolado não muda a economia, um calendário sim
Uma edição única movimenta a cidade por alguns dias. A repetição é que transforma o evento em hábito. Quando o público sabe que determinado festival acontece todo ano no mesmo período, hotéis ajustam tarifas com antecedência, restaurantes reforçam o estoque e trabalhadores passam a contar com aquela renda.
A Eventos Litoral, criada pelo empresário, foi construída para atuar nesse território, com produção de shows, entretenimento e experiências voltadas a grandes públicos. Para quem planeja um evento com essa ambição, a pergunta deixa de ser apenas quantos ingressos vender e passa a ser quantas vezes a cidade consegue receber aquele público.
A estrutura que o público não vê
Por trás de um show para milhares de pessoas há uma operação extensa. Montagem de palco, controle de acesso, segurança, atendimento médico, banheiros, iluminação, rotas de saída e diálogo com a prefeitura e com os órgãos de fiscalização precisam estar resolvidos antes de o primeiro portão abrir.
Cada uma dessas frentes emprega gente, de técnicos de som a seguranças, carregadores e equipes de limpeza. Na trajetória de Fredy Restrito, a produção de eventos aparece ao lado do varejo e da gastronomia como mais um negócio que depende de formar equipes e gerar empregos na região.
Uma economia que não depende só do sol
Cidades que vivem apenas do verão ficam reféns do clima e da data do Carnaval. Um calendário de eventos distribui o movimento ao longo do ano e dá aos negócios locais algo raro no litoral: previsibilidade. O hoteleiro passa a saber, com meses de antecedência, em quais fins de semana a ocupação vai subir.
Essa previsibilidade, de acordo com Fredy Restrito, é o que permite contratar com carteira assinada em vez de temporário, reformar um hotel ou abrir uma segunda unidade. No fim, o evento dura uma noite, mas a estrutura econômica que ele ajuda a sustentar continua funcionando no dia seguinte.
