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Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, acompanha de perto um problema que boa parte da indústria ainda subestima: as perdas causadas por embalagens inadequadas não aparecem nas notas fiscais, mas aparecem nos resultados. Isso porque há um conjunto de perdas silenciosas que consomem a margem sem que a maioria das empresas consiga rastreá-las com precisão: são exemplos disso produtos avariados no transporte, retrabalho nas linhas de separação, descarte prematuro de materiais que poderiam durar mais ciclos.
O tema ganhou urgência à medida que a eficiência logística passou a ser tratada como vantagem competitiva real.
O que a embalagem certa tem a ver com eficiência operacional?
A escolha do material de embalagem raramente é tratada como decisão estratégica, informa Elias Assum Sabbag Junior. Na maioria das operações industriais, ela ainda é vista como custo fixo a ser comprimido, não como variável que afeta diretamente o desempenho da cadeia. No entanto, essa lógica começa a mudar quando as empresas passam a medir o custo total do ciclo, incluindo avarias, substituições e tempo de manuseio. Materiais como o plástico corrugado, por exemplo, oferecem resistência mecânica superior ao papelão em ambientes úmidos, reduzem o índice de avarias no transporte e permitem múltiplos ciclos de uso antes do descarte, o que altera completamente a equação de custo por uso.
Por sua vez, a transição para embalagens mais resistentes e reutilizáveis também impacta o tempo de manuseio nas operações. Isso ocorre porque embalagens que se deformam exigem ajustes constantes nas linhas, geram paradas não programadas e aumentam o tempo de separação. Em contrapartida, quando esse atrito é eliminado, o ganho aparece na produtividade antes mesmo de aparecer nos relatórios de custo direto. É por isso que Elias Assum Sabbag Junior orienta a mapear essas perdas ocultas antes de tomar decisões de compra baseadas apenas no preço unitário do material, uma abordagem que parte da análise do ciclo completo da embalagem dentro da operação.
Logística sustentável e eficiência não são objetivos opostos
Um dos equívocos mais comuns no setor é tratar sustentabilidade e eficiência como metas que competem entre si. A prática mostra o contrário. Tendo em vista que embalagens produzidas com material reciclado pós-consumo e projetadas para múltiplos ciclos de uso reduzem simultaneamente o volume de resíduos gerados e o custo operacional ao longo do tempo.
À frente da Cartonale, Elias Assum Sabbag Junior tem trabalhado com essa lógica na estruturação de soluções que combinam desempenho técnico e responsabilidade ambiental, respondendo a uma demanda crescente de clientes que precisam comprovar práticas sustentáveis para seus próprios compradores e parceiros.
O movimento de logística reversa também entra nessa conta. Quando a embalagem é projetada para retornar ao ciclo produtivo, a empresa reduz a dependência de insumos virgens e cria um fluxo de reuso que gera valor ao longo do tempo. Esse modelo exige planejamento desde a fase de projeto da embalagem, não apenas na etapa de descarte.
O desperdício que ainda não tem linha no orçamento
A maior parte das empresas industriais ainda não possui uma rubrica dedicada a perdas por embalagem inadequada. Esse dado, por si só, explica por que o problema persiste. Sem mensuração, não há pressão para mudança. Elias Assum Sabbag Junior, empresário e especialista em embalagens plásticas, que atua com visão de cadeia, sabe que o verdadeiro argumento de venda não é o produto em si, mas o problema que ele elimina.
À medida que mais empresas começam a medir o custo real do ciclo logístico, a conversa sobre embalagem deixa de ser uma negociação de preço e passa a ser uma discussão sobre performance. Esse movimento já está em curso, e as empresas que não se posicionarem nessa transição vão sentir a diferença na competitividade nos próximos anos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
