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Levantamento da Pilea Labs analisou 4,4 milhões de pedidos e R$ 935 milhões em vendas de mais de 160 marcas. Dados indicam que manter relacionamento contínuo com creators pode ser mais eficiente do que apostar somente em campanhas pontuais.
O mercado de influenciadores digitais está deixando de ser apenas uma ferramenta de divulgação para se consolidar como um canal mensurável de vendas no comércio eletrônico. Um levantamento da Pilea Labs mostra que 90% das vendas atribuídas ao marketing de influência são geradas por criadores que mantêm relacionamento recorrente com as marcas. (Folha de S.Paulo)
O estudo analisou aproximadamente 4,4 milhões de pedidos, que movimentaram cerca de R$ 935 milhões, envolvendo mais de 160 marcas brasileiras de diferentes segmentos entre julho de 2025 e junho de 2026. (CNDL)
Os números ajudam a revelar uma mudança importante na chamada creator economy: contratar um influenciador para uma publicação isolada pode ter impacto, mas construir uma comunidade de criadores que conheça a marca e mantenha contato frequente com seus consumidores tende a produzir resultados comerciais mais consistentes.
Criadores recorrentes vendem com frequência muito maior
Uma das diferenças mais expressivas encontradas pela pesquisa está na frequência dos pedidos.
Segundo o levantamento, creators que mantêm relacionamento contínuo com as marcas apresentaram uma frequência de pedidos 8,5 vezes superior à registrada entre novos criadores que acabaram de entrar nas comunidades das empresas. (Folha de S.Paulo)
O resultado sugere que a familiaridade construída ao longo do tempo pode ter valor comercial.
Quando um influenciador apresenta repetidamente uma determinada empresa ou produto à sua audiência, a recomendação deixa de aparecer apenas como uma ação isolada. O consumidor passa a ter diversos pontos de contato com aquela marca.
Para as empresas, isso também permite observar quais criadores realmente conseguem converter audiência em vendas, em vez de avaliar uma parceria somente por métricas como seguidores, visualizações ou curtidas.
Número de seguidores não explica sozinho as vendas
Outro resultado importante do levantamento é que os maiores influenciadores não concentram necessariamente todo o desempenho comercial.
Na Black Friday de 2025, por exemplo, 41,2% das vendas geradas por influência vieram de criadores que não estavam no grupo dos chamados top performers. Esses perfis registravam até dez conversões mensais por marca antes do período promocional. (Meio e Mensagem)
Os top performers, definidos no levantamento como aqueles que ultrapassavam dez conversões mensais, responderam por 58,7% da receita durante o período analisado da Black Friday.
Isso significa que uma parcela relevante do resultado veio da soma de criadores médios, ocasionais e novos.
O dado reforça uma tendência importante no mercado digital: uma rede ampla de influenciadores menores pode ter peso considerável quando mobilizada em grande escala.
Black Friday evidencia força da creator economy
A Black Friday aparece no levantamento como um momento especialmente importante para medir o poder comercial dos influenciadores.
Além dos 41,2% das vendas provenientes de criadores fora do grupo de maior desempenho, 90% do GMV — valor bruto das mercadorias vendidas — originado por influência na data foi atribuído a creators recorrentes. (Meio e Mensagem)
Outro levantamento apresentado no contexto do Fórum E-Commerce Brasil 2026 apontou que, na Black Friday de 2025, as vendas originadas por influência cresceram 180%, em ritmo 2,4 vezes superior ao crescimento do próprio e-commerce naquele período. (GaúchaZH)
O cenário mostra por que empresas estão tratando influenciadores cada vez menos como uma mídia complementar e mais como parte permanente da estratégia comercial.
Diferentes formatos aumentam conversão
A maneira como o conteúdo é publicado também interfere no resultado.
Segundo os dados divulgados sobre o levantamento da Pilea Labs, campanhas que combinam Stories, Reels e Carrossel podem produzir volume de vendas 5,6 vezes maior do que ações concentradas exclusivamente em Stories. (Meio e Mensagem)
A conclusão indica que repetição não significa necessariamente publicar exatamente a mesma mensagem diversas vezes.
O consumidor pode descobrir um produto em um vídeo curto, receber mais informações em um carrossel e posteriormente encontrar um Story com uma oferta ou chamada para compra.
A combinação dos formatos cria diferentes momentos de contato entre creator, produto e consumidor.
Gamificação também pode estimular vendas
O levantamento identificou ainda resultados associados à utilização de mecanismos de gamificação para estimular os criadores.
As marcas podem estabelecer metas de publicações ou vendas e oferecer comissões adicionais, benefícios ou recompensas quando determinadas etapas são atingidas.
Segundo a pesquisa, esse tipo de estratégia pode dobrar o faturamento médio por creator e elevar a ativação das bases para aproximadamente 65% durante a Black Friday. (Meio e Mensagem)
A prática aproxima programas de influência dos tradicionais sistemas de afiliados, nos quais o desempenho comercial pode ser acompanhado diretamente.
Influenciador passa a ser também canal de vendas
Durante anos, boa parte do marketing de influência foi avaliada principalmente por alcance, curtidas, comentários e número de seguidores.
O crescimento do comércio eletrônico está modificando esse modelo.
Cupons individuais, links rastreáveis, plataformas de afiliados e integração com sistemas de e-commerce permitem acompanhar quantos pedidos foram efetivamente originados por determinado criador.
Com isso, empresas conseguem comparar investimento e retorno com maior precisão.
A própria Pilea Labs se apresenta como uma plataforma destinada à gestão de influenciadores e afiliados, incluindo ferramentas para recrutamento, acompanhamento de conversões, comissões e análise de desempenho. (Pilea Labs)
Marcas também continuam procurando novos creators
Valorizar relacionamentos duradouros não significa abandonar a busca por novos influenciadores.
Segundo os dados divulgados pela Folha de S.Paulo, as empresas que contrataram novos creators registraram crescimento de 98% em suas bases de influenciadores. (Folha de S.Paulo)
A estratégia mais eficiente, portanto, pode estar na combinação das duas frentes.
Novos criadores ajudam a expandir o alcance e encontrar diferentes públicos. Aqueles que apresentam bons resultados podem posteriormente ser incorporados à comunidade recorrente da marca.
Em vez de substituir constantemente toda a base, a empresa passa a construir um ciclo de recrutamento, avaliação, retenção e desenvolvimento dos creators que demonstram melhor desempenho.
Tíquete médio também chama atenção
O levantamento encontrou outro sinal relevante sobre o comportamento das vendas originadas por influenciadores.
Enquanto o tíquete médio do mercado apresentou queda, o valor médio das compras atribuídas aos creators permaneceu praticamente estável. Também houve crescimento da quantidade de produtos incluídos em cada pedido. (Folha de S.Paulo)
Esse comportamento reforça a hipótese de que uma recomendação construída dentro de uma relação mais próxima entre creator e audiência pode influenciar não apenas a decisão de comprar, mas também a composição do carrinho.
Ainda assim, os resultados representam o universo analisado pela pesquisa e não significam que toda campanha de influência terá automaticamente o mesmo desempenho.
O que muda para as marcas?
Os dados apontam para uma transformação na maneira como empresas podem estruturar seus programas de influência.
Em vez de selecionar um grande perfil, pagar por uma publicação e encerrar a relação, as marcas podem manter grupos de creators durante períodos mais longos, acompanhar vendas individualmente e identificar quais parcerias apresentam maior retorno.
Nesse modelo, o número de seguidores continua relevante, mas passa a dividir espaço com indicadores comerciais.
Conversão, frequência de vendas, quantidade de pedidos, tíquete médio e recorrência passam a ajudar na escolha de quem permanece nos programas.
O creator deixa de ser apenas uma pessoa contratada para gerar visibilidade e pode funcionar como um parceiro comercial de longo prazo.
Creator economy entra em fase mais orientada por dados
O levantamento foi divulgado em um momento no qual marketing de influência, inteligência artificial, comércio eletrônico e sistemas de afiliados estão se aproximando.
Durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026, realizado entre 28 e 30 de julho em São Paulo, o papel da tecnologia na transformação do varejo esteve entre os assuntos discutidos. O estudo da Pilea Labs também ganhou repercussão no contexto do evento. (Ecommerce Brasil)
Para a creator economy, os números apontam uma direção clara: empresas querem saber não somente quantas pessoas visualizaram uma publicação, mas quanto aquela influência efetivamente contribuiu para as vendas.
E os 4,4 milhões de pedidos analisados mostram que a resposta pode estar menos na busca constante pelo próximo influenciador viral e mais na construção de relações duradouras com uma comunidade diversificada de creators.
Com 90% das vendas por influência concentradas nos criadores recorrentes dentro da amostra analisada, a continuidade da relação entre marcas e influenciadores aparece como um dos principais elementos para transformar audiência digital em resultado comercial. (Folha de S.Paulo)
Fontes: levantamento da Pilea Labs repercutido pela Folha de S.Paulo, Meio & Mensagem e Varejo S.A./CNDL. (Folha de S.Paulo)
